Thought Leadership

Como homologar fornecedor de brindes corporativos (e nunca mais fazer RFP)

Como homologar fornecedor de brindes: critérios de avaliação, modelo de fornecedor único vs. RFP, análise de custo de processo e checklist de compliance fiscal.

Foto de Danilo Aguiar
Danilo Aguiar
CEO & Founder

Fundador e CEO da Glim desde 2019. Ex-General Manager de Entregas Non-food no iFood. Formado pela UFSC.

9 min de leitura

O problema: RFP de brindes não funciona

RFP de brindes é o processo que ninguém quer fazer e ninguém sabe se funcionou.

O ciclo é sempre o mesmo. A demanda chega — onboarding, campanha de fim de ano, evento de vendas. Alguém de Compras ou RH abre o processo. Precisa cotar com no mínimo 3 fornecedores para cumprir política interna. Cada fornecedor tem catálogo diferente, condição comercial diferente, prazo diferente, padrão de qualidade diferente. Você monta uma planilha comparativa que ninguém confia, porque os itens nunca são exatamente iguais entre fornecedores.

Quinze dias depois, você escolhe. Pede amostra. A amostra atrasa. Quando chega, a cor está diferente do mockup. Volta pro fornecedor. Mais uma semana. Aprova. Produção: 20 dias. Entrega: lote na portaria. NF: às vezes certa, às vezes não.

E no trimestre seguinte? Repete tudo. Do zero. Porque RFP não gera aprendizado — gera retrabalho.

O processo foi desenhado para compras de alto valor e alta complexidade. Matéria-prima industrial. Serviços de TI. Frotas. Brindes corporativos não são nada disso. São itens de catálogo, com preço de mercado conhecido, que deveriam ser comprados como qualquer produto de e-commerce. Mas continuam presos num processo de procurement que não foi feito para eles.


Quanto custa o processo (não o brinde)

A pergunta que ninguém faz numa cotação de brindes corporativos online é: quanto custa o processo de compra em si?

Vamos ao cálculo. Um ciclo de RFP para brindes consome, em média, 40 a 60 horas de trabalho. São horas de analista de Compras, não de estagiário. Briefing interno, pesquisa de fornecedores, envio de solicitações, recebimento de propostas, comparação de preços, negociação, aprovação de amostra, acompanhamento de produção, conferência de entrega, conciliação de NF.

Multiplique por 8 a 10 ciclos por mês — entre campanhas, onboardings, eventos, datas comemorativas — e você chega a ~200 horas por mês. Isso é o equivalente a 2 pessoas presas no operacional em vez de fazer compras estratégicas.

Duas pessoas que poderiam estar negociando contratos estratégicos, otimizando supply chain, reduzindo custo de categorias que realmente impactam margem. Em vez disso, estão gerenciando 15 fornecedores de camiseta. Para entender o panorama completo de como comprar brindes em escala, veja nosso guia definitivo de brindes corporativos.

E o custo vai além do tempo. Cada fornecedor novo é um risco: NF com CFOP errado, CNAE incompatível, falta de certificação, atraso sem SLA, qualidade inconsistente. O time de Compras não deveria ser gerente de fornecedor de brinde — deveria ser comprador estratégico.

A ironia é que a economia de R$ 0,50 por unidade que a RFP promete não cobre o custo operacional do processo. Você economiza no preço unitário e gasta o triplo em horas internas. É arbitragem negativa: o processo custa mais do que a economia que gera.

Quando o custo de comprar é maior do que a margem que você otimiza, o processo está quebrado. E a solução não é melhorar a RFP — é eliminá-la.


O modelo alternativo: fornecedor único com catálogo diversificado

A tese é contraintuitiva para quem vive procurement: a solução para brindes corporativos não é ter mais fornecedores — é ter um só.

Mas não qualquer fornecedor. O modelo que funciona é um fornecedor que opera como plataforma: catálogo curado com 10.000+ itens, produção sob demanda, personalização unitária, NF própria, despacho em até 2 dias e envio individual rastreado para qualquer lugar do Brasil.

Esse fornecedor não é uma gráfica grande. É uma operação que combina curadoria de produto, tecnologia de personalização, logística unitária e governança corporativa — tudo num único ponto de contato.

Como funciona na prática

Você homologa uma vez. Valida catálogo, testa qualidade, aprova SLA, configura governança (centro de custo, aprovação, budget por área). Depois disso, cada nova demanda é um pedido — não um processo.

Precisa de 300 kits de onboarding? Entra na plataforma, escolhe do catálogo, personaliza com logo (automático) e nome do colaborador (unitário), confirma. Produção inicia no mesmo dia. Despacho em até 2 dias. Cada kit vai direto para o endereço do novo colaborador, com rastreamento individual. NF emitida automaticamente.

Precisa de 50 garrafas para evento de vendas na próxima semana? Mesmo fluxo. Sem cotação, sem amostra, sem lote mínimo.

Precisa de 1 presente para um cliente estratégico? Também funciona. Sem pedido mínimo.

A lógica é a mesma de qualquer e-commerce maduro: catálogo com preço, estoque (ou produção sob demanda), personalização, checkout, envio, rastreamento. A diferença é que esse e-commerce foi desenhado para compras corporativas — com governança, NF, centro de custo e relatório consolidado.

O que muda no dia a dia de Compras

Em vez de gerenciar 15 fornecedores, o time de Compras gerencia 1 plataforma. Em vez de montar planilha de cotação, navega um catálogo com preço visível. Em vez de perseguir NF, recebe NF automática. Em vez de ligar para transportadora, acompanha envio por dashboard.

O papel de Compras muda de operacional para estratégico: definir política de brindes, configurar regras de aprovação, monitorar budget — não cotar camiseta.


Por que funciona

O modelo de fornecedor único com catálogo diversificado funciona porque ataca os custos ocultos, não o preço unitário.

Tempo operacional: ~200h/mês para próximo de zero. Sem cotação, sem planilha, sem ciclo de aprovação de amostra. O catálogo já está curado — cada item foi auditado antes de entrar na plataforma.

Compliance fiscal: NF pela plataforma. O fornecedor emite NF própria em cada pedido. CFOP correto, faturamento como operação da plataforma, sem conciliação manual. O ônus fiscal não cai sobre a empresa compradora.

Velocidade: despacho em até 2 dias. Incluindo produção e personalização. Isso é possível porque a produção é sob demanda com tecnologia digital (DTF, sublimação, impressão direta) — não depende de setup de máquina para cada lote.

Personalização sem setup. Cada item pode sair com arte diferente, nome diferente, mensagem diferente. O sistema aplica a personalização automaticamente a partir do logo cadastrado. Sem arquivo de arte separado para cada pedido.

Escala real. Operações com 40.000+ colaboradores atendidos, 10.000 a 20.000 pedidos por mês, picos de 10.000+ despachos em um único mês. Tudo sem estoque, sem lote mínimo, sem cotação.


Critérios para escolher o fornecedor único

Se o modelo faz sentido para sua operação, estes são os 5 critérios não negociáveis para homologar o fornecedor:

1. Catálogo diversificado e curado (10.000+ itens)

Diversidade de catálogo é o que elimina a necessidade de múltiplos fornecedores. Se o catálogo cobre vestuário, drinkware, tech, escritório, kits e itens premium — tudo curado, fotografado e com ficha técnica —, você não precisa sair da plataforma para encontrar o que procura. O número mínimo viável é 10.000 itens. Abaixo disso, você vai precisar de fornecedores complementares — e volta ao modelo fragmentado.

2. NF própria garantida

Esse critério elimina 80% dos fornecedores informais. O fornecedor deve emitir NF de venda (CFOP 5.949/6.949) como faturamento próprio — não como intermediário, não como marketplace que repassa NF de terceiros. Se não emite NF própria, o risco fiscal é seu.

3. SLA de produção e despacho (2 dias úteis)

Despacho em até 2 dias úteis, incluindo personalização, para itens do catálogo. Esse SLA precisa ser documentado e mensurável — não promessa verbal. Itens especiais ou exclusivos podem ter prazo diferente, mas o catálogo padrão deve seguir esse SLA.

4. Personalização unitária

Personalização por lote (mesmo logo em 500 unidades) é commodity. O diferencial é personalização unitária: cada item pode sair com nome, mensagem ou arte individual. Isso habilita soluções para equipes de Compras que vão além do brinde genérico — onboarding personalizado, reconhecimento por nome, gifting individual.

5. Governança corporativa

Plataforma sem governança é catálogo de e-commerce. O fornecedor deve oferecer: aprovação configurável (automática ou manual, por área, por gestor), centro de custo por pedido, budget por departamento, relatórios consolidados e rastreamento individual. Se Compras não tem visibilidade total, não tem controle — e sem controle, não homologa.

Uma forma de centralizar toda essa governança é através de uma lojinha corporativa com benefícios e controle operacional.


CTA operacional

Se sua empresa ainda roda RFP para cada demanda de brinde, o gargalo não é o fornecedor — é o processo.

  1. Calcule quantas horas por mês seu time gasta em cotação, amostra, produção e conciliação de NF de brindes.
  2. Aplique os 5 critérios acima ao seu fornecedor atual. Quantos ele atende?
  3. Conheça as soluções para equipes de Compras que operam com fornecedor único, catálogo sob demanda e despacho em 2 dias.

A homologação certa elimina o processo. E quando o processo desaparece, Compras volta a fazer o que deveria: estratégia, não cotação de camiseta.

Perguntas Frequentes

Quantos fornecedores de brindes devo homologar?

O modelo tradicional diz 3-5. O modelo moderno diz 1 — desde que esse fornecedor ofereça catálogo diversificado (10.000+ itens), personalização sob demanda e SLA garantido. Menos fornecedores = menos gestão, mais padronização.

Quais os critérios obrigatórios para homologar fornecedor de brindes?

Mínimo: (1) catálogo curado com variedade, (2) NF própria garantida, (3) SLA de produção e despacho, (4) personalização unitária, (5) envio individual rastreado. Se o fornecedor não atende esses 5, não homologue.

Como auditar qualidade de fornecedor de brindes?

Peça amostras antes de homologar. Depois, monitore: taxa de defeito por lote, prazo de entrega cumprido, NPS dos destinatários. Plataformas com catálogo curado já fizeram essa auditoria por você — cada item passou por controle de qualidade antes de entrar no catálogo.

Nota fiscal de brinde: como funciona o compliance?

Brinde corporativo exige NF de venda (CFOP 5.949/6.949). Se o fornecedor não emite NF própria, o ônus fiscal cai sobre a empresa compradora. O modelo ideal: fornecedor que emite NF como faturamento próprio, simplificando compliance e dedutibilidade.

Contrato guarda-chuva ou compra sob demanda?

Sob demanda. Contrato guarda-chuva engessa preço e catálogo. Modelo sob demanda: você homologa o fornecedor uma vez e compra quando precisar, do catálogo atualizado, sem compromisso de volume. Escala sem lock-in.

Quer ver como isso funciona na prática?

Ver solução completa: Compras